Segunda-feira, 2 de Abril de 2007

Jack´s Wasted Life

April Fool?



Eu tinha plena consciência de que três horas de sono não me seriam suficiente, mesmo assim fiquei perambulando pelas ilusões até três horas da manhã. Fiz de tudo para me atrasar e chegar na segunda aula, afinal as duas primeiras eram de Educação Física e perder a primeira me cairia bem. Fiz de tudo para me atrasar e me atrasei, de fato. O problema é que o coordenador do colégio também se atrasou e eu cheguei antes dele fechar o portão.

As conseqüências da minha irresponsabilidade eu sofri o dia todo. Sabe quando você não está dormindo, mas, definitivamente não está acordado? Foi assim que meu dia se arrastou. Eu que já não sou provida de boa memória, quando estou nesse estado de adormecida ambulante, fico pior ainda. Ser esquecida nunca me atrapalhou em nada, mas antes de eu perceber isso, gastei muitos papeizinhos amarelos com anotações, ocupei a porta da geladeira quase por completo. "Dentista 9 horas na segunda ou na terça", "Ligar para dentista e ver se marquei para segunda ou terça", "Lembrar de guardar o cartão da dentista, da próxima vez" e assim por diante. Na maioria das vezes meus lembretes caiam, por sua vez, no esquecimento também. Percebi que eu não sou mais forte que minha distração, parei de lutar contra ela e vivi feliz para sempre.

Ao inves de lutar para destruir meus demônios eu costumo me aliar a eles. Não que eu não seja capaz de sair vitoriosa dessa briga, mas, por preguiça mesmo. O problema é que eles me traem. E, já que me aliando a eles passamos a ser um só, quem me trai sou eu mesma e fico agora sem ter com quem reclamar.
Ainda mais agora, que eu tenho dezoito anos. Mal posso acreditar... De repente eu acordei - com aquela dor de cabeça - e pimba! Eu tinha dezoito anos... Minhas costas já sentem o peso dessa carga a mais de experiência. Então agora eu respondo pelos meus atos; sou obrigada a votar; posso consumir bebida alcoólica; posso tirar minha carteira de motorista; não cresço mais...
Matem-me de uma vez!

Mas, antes disso, me deixem descansar. Como eu disse, mal dormi essa noite. Não quero morrer com sono...

Sexta-feira, 23 de Março de 2007

Quase atípico

( "Bad, bad server...")


Acordei atrasada, dando um pulo desnecessário da cama, uma e vinte e nove da manhã. Odeio essa sensação. Essa noite eu acordei umas quatro vezes, "atrasada". Parece até que era um daqueles dias especiais na escola - ainda guardo essa sensação, mereço um prêmio - quando você faz questão de não chegar atrasado por algum motivo. Na maioria das vezes que me encontrei nessa sensação, o motivo importante era excursão. Sempre gostei de excursões de colégio, com a turma toda, ir para algum parque ou para um hotel-fazenda. Uma chatice só, mas eu gostava. Lembro-me o quanto eu odiava estar em casa, naquele tempo. Quanto mais longe dela eu estivesse, aliás, mais feliz eu me sentia.

Hoje é ao contrário. O que mudou não foi a casa, definitivamente. O que mudou foi a fuga.

Desinteressa.
O fato é que, de tanto eu me atrasar em falso, quase me atrasei verdadeiramente. Nada grave, deu tempo de passar um café forte e ruim - características do meu café - e pôr a mesa, com torradas, requeijão, leite em pó... Tudo justamente como eu gosto, e como deve ser.
Nada para contar sobre as aulas que tive hoje - Português, História e Física. Ou vocês querem ler que o aumentativo de moça é moçoila; que existem duas formas de Colonialismo: por exploração e por povoamento; ou ainda que quanto menor a área, maior a pressão? Não, certo? Imaginei.

Por conseguinte, nada para contar sobre minha tarde na academia. Talvez uma revelação perturbadora e inesperada, mas tão sem fundamentos que não vale a pena gastar o meu tempo e o seu, contando.

O mais interessante do meu dia foi poder usar moletom. Ah! Há quanto tempo eu não me sentia segura e confortável, embalada pelo meu velho moletom do Piu piu? Eu poderia tentar descrever essa sensação, a fim de repartir com vocês esse momento, essa saudade exterminada. Só não o faço porque, primeiramente, não conseguiria. E eu sou egoísta.

Terça-feira, 20 de Março de 2007

Até logo, verão

Eu queria poder dar adeus ao calor, mas eu sei que ele não vai embora junto com o verão. Aliás, temos ainda quatro estações no Brasil?
E só de pensar que ano que vem tende a ser pior, já tenho dó dos meus futuros netos.
Interessante o modo que as pessoas levam a sério isso de viver o presente, não?

Hoje o dia está até agradável, tirando o meu chuveiro que insiste em nunca parar de pingar. Ele ainda brinca comigo, deixando um intervalo de tempo maior entre uma gota - que eu penso ser a última - e outra que faz meus ombros caírem.
O céu está com muitas nuvens, posso até sair sem protetor solar sem me preocupar tanto. Normalmente, no caminho para a academia não há sequer um metro de sombra, consecutivo. Seria pretensão questionar por que ninguém pensou em mim na hora de acabar com todas as arvores do caminho?

Só de pensar que hoje tenho que mudar o computador de lugar, eu deixo para amanhã. Ando tão preguiçosa, nesses últimos dezessete anos. E daqui a doze dias, serão dezoito anos. Dezoito anos preguiçosos. Prefiro fazer tudo rápido, para acabar logo. Mas vocês não têm idéia do quão doloroso é ser preguiçosa e perfeccionista. Seu perfeccionismo sempre querendo acabar com sua querida preguiça. Pobre preguiça, tão humilde, se deixa esmagar facilmente.

Agora eu tenho que ir caminho afora, aproveitando cada passo, mesmo que em falso.